Pragas ameaçam exportações de frutas e vegetais

O MINISTÉRIO da Agricultura e Desenvolvimento Rural manifesta grande preocupação com a proliferação de pragas destrutivas nos campos agrícolas do país, com especial atenção para a mosca da fruta que representa uma séria ameaça a exportação da fruta e vegetais.
O insecto destruidor entrou em Moçambique em 2008 vindo de Quénia, atacando numa primeira fase, as Zonas Norte e Centro, tendo rapidamente se alastrado para todos os cantos do país, criando danos avultados aos produtores pela sua capacidade de destruição da fruta e vegetais.
Com origem asiática, a mosca da fruta, na sua primeira aparição em Moçambique (2018), levou as autoridades do sector agrário a realizarem uma apreciação dos resultados das exportações, tendo chegado a conclusão de que o país teve uma paralisação de exportação de cerca de três semanas, o que originou uma perda de aproximadamente 2.5 milhões de dólares devido a praga.
A informação foi avançada segunda-feira pelo Director Nacional da Agricultura e Silvicultura, Pedro Zucula, durante o workshop regional sobre a mosca da fruta que arrancou em Maputo com duração de cinco dias e junta vários países da região e intervenientes do sector para em conjunto encontrarem saídas para o problema.
“A mosca da fruta é uma grande preocupação para o nosso país, detectámos pela primeira vez em 2008 e de lá para cá tem criado danos avultados aos produtores”, disse.
Para controlar o problema e proteger a fruta e os vegetais, Zucula garantiu que o país, desde que detectou a presença do insecto destruidor das culturas, tem levado a cabo várias iniciativas tendentes a neutralizar a praga e minimizar seus efeitos na produção agrária através de programas de combate.
“A partir daí, nós desencadeamos programas de monitoria, vigilância e controlo da mosca da fruta, que é muito preocupante para o mercado da fruta. Temos sempre realizado formações e capacitações para assegurar a contenção da praga para não se alastrar para mais áreas”, assegurou.
Para lograr sucesso no combate a esta praga, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural tem trabalhado em coordenação com a União Europeia e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na implementação de projectos de assistência técnica avaliados em 170 mil dólares norte-americanos.
“Temos trabalhado com a União Europeia e a FAO que tem financiado projectos de assistência técnica. O desafio neste momento é de mobilizar mais recursos para combater outras pragas, tais como o Mal de Panamá, que afecta severamente a banana”, afirmou.
Por sua vez, a FAO, que tem uma forte presença e intervenção no sector da agricultura em Moçambique, assume que cerca de 20 por cento de perdas das frutas e vegetais no país tem a ver com a mosca da fruta, sendo a banana, goiaba e manga as culturas mais atacadas pela praga.
A FAO aponta três medidas de controlo fundamentais recomendadas aos produtores, nomeadamente a sanidade do pomar, o que significa que toda a fruta que cai deve ser destruída; a aplicação de proteínas nas plantas e a técnica de aniquilação do macho.
Segundo o representante da FAO em Moçambique, Coelho da Silva, com a combinação destas três medidas o produtor pode reduzir a infestação até níveis muito baixos.
Estão em Maputo para debater possíveis saídas para as pragas destrutivas cerca de 16 países da região, representantes do Governo, sector privado, pesquisadores, investigadores e todos parceiros do sector agrário. -(AIM
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